As investigações da Polícia Federal alcançam a secretária municipal de Saúde, Morgana Dantas, que também foi alvo da Operação Mederi. Segundo a decisão do desembargador federal Rogério Fialho, as evidências contra a titular da Saúde são de natureza indiciária e decorrem da posição funcional que ocupava.
A decisão cita que Morgana era a ordenadora de despesas do Fundo Municipal de Saúde, função que lhe conferia responsabilidade pela homologação de licitações e autorização de pagamentos. Durante sua gestão, que abrange parte significativa do período investigado (2021- 2024), a empresa DisMed Distribuidora recebeu volumes crescentes de recursos, culminando no pico de R$ 5.864 milhões em 2024.
O documento em análise demonstra que, em licitação homologada pela secretária da Saúde, a DisMed foi vencedora de lotes significativos no valor total de R$ 3.937 milhões. A Drogaria Mais Saúde, também investigada, venceu lotes no valor de R$ 2.163.323 milhões.
“Considerando que os diálogos captados descrevem sistemática de entrega parcial de medicamentos e superfaturamento, a homologação destas licitações por Jacquline Morgana Dantas Montenegro ganha relevância. O documento reconhece explicitamente que "embora não expressamente mencionados em diálogos captados, o modus operandi até então constatado inserem tais figuras como parte das engrenagens que viabilizam o sucesso da empreitada criminosa”, diz o documento.